sábado, 31 de julho de 2010

CALMA NO TRÂNSITO

É preciso manter a calma no trânsito
Por Carlos Gutemberg


Para evitar as reações negativas do estresse provocado pelo tráfego intenso, principalmente nas grandes cidades, a medida efetiva a ser tomada é tornar-se um motorista autoconsciente




           Entre os principais sentimentos relacionados ao estresse no trânsito das grandes cidades estão a raiva, o medo e a tristeza. Dependendo do comportamento adotado pelo motorista, uma dessas sensações pode se intensificar mais que a outra, o que nem sempre é favorável.
           O nosso corpo reage de várias formas quando estamos em uma situação de estresse. Todos os sentidos são acionados simultaneamente, aumentando a adrenalina, e a mente pode nos trazer lembranças, medos e outros sentimentos. Nesse turbilhão de sensações, segundos são como o tempo mais longo do mundo e, ao final, não conseguimos lembrar o que dissemos ou fizemos.
           No trânsito, o melhor dos sentimentos que alguém pode ter é a calma. Somente com isso é possível reduzir o estresse, tão comum entre os motoristas, hoje em dia. Porém, é muito difícil não perder a paciência, deixando que outros sentimentos apareçam enquanto se dirige.
           Ao se deixar ser tomado pela raiva e a agressividade, por exemplo, a pessoa pode ter vontade de quebrar ou destruir coisas. Se o medo se fizer presente em uma situação, é comum o desejo de fugir, podendo até, em casos extremos, levar alguém à paralisação dos movimentos físicos.

Tranquilidade, só após mudar de cidade

           A assessora de imprensa Ana Paula Ordoñez já enfrentou problemas sérios com o trânsito, há alguns anos, quando morava na cidade de São Paulo. Na época, além da impaciência para enfrentar os enormes congestionamentos, ela conta que a falta de segurança pública contribuía para deixá-la ainda mais irritada. “Eu fui assaltada algumas vezes, ao parar em semáforos, e isso me deixou traumatizada e com mania de perseguição. Quando qualquer pessoa se aproximava do meu carro, eu tinha impressão de que seria atacada novamente”, diz.
           A saída encontrada por ela, para conciliar qualidade de vida e paz no trânsito, foi mudar-se para uma cidade do litoral paulista. “Aqui, consegui encontrar um equilíbrio, pois a região é formada por municípios que possuem um tráfego bem menos intenso, mesmo em dias úteis. Quanto aos assaltos, nunca mais me aconteceram. Existe um forte esquema de monitoramento por câmeras, 24 horas por dia, e quase não são registradas ocorrências desse tipo”, ressalta Ana Paula.

Motorista autoconsciente

           Para evitar as reações negativas do estresse provocado pelo trânsito, a medida efetiva a ser tomada é tornar-se um motorista autoconsciente, de acordo com Gilberto Katayama, terapeuta do Núcleo Ser e especialista em medicina do trabalho e saúde pública. “Só assim é possível entender e aceitar que somos os únicos responsáveis pelas nossas emoções”.
           O terapeuta lista algumas técnicas simples, que podem ajudar a manter o controle em situações extremas:

1º) Perceba, antes mesmo de entrar no seu carro, quais são os sentimentos que estão mais aguçados naquele momento. Se for a raiva, libere-a. Para isso, procure um lugar seguro, movimente seu corpo. Se esse sentimento é constante, uma boa dica é fazer exercícios físicos logo pela manhã;

2º) Conscientize-se que irá enfrentar um trânsito, e que isso gera estresse. Aceite isso e prepare-se para não se aborrecer muito;

3º) Para não se estressar no trânsito, ouça uma música preferida, cante;

4º) Se o estresse aparecer, grite! Perceba o alívio imediato que sentirá ao liberar o estresse. Isso significa que o corpo e a mente estão saudáveis, e ficar preso ao estresse excessivo significa que o corpo e a mente estão adoecendo.